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Arquitetura municipal ajuda a melhorar as cidades

Gestão, Gestão de Obras, Inovação, Novas Tecnologias 12 de fevereiro de 2016

Movimento defende que arquitetos nascidos ou que se formaram nas localidades têm maiores chances de interferir positivamente no urbanismo

Por: Altair Santos

A Inglaterra sempre estimulou projetos dos chamados arquitetos municipais. São profissionais que nasceram e estudaram nas cidades e, consequentemente, conhecem melhor o espaço urbano do que quem vem de fora. Com isso, possuem mais ferramentas para influenciar positivamente em áreas que vão desde a ocupação urbana até a mobilidade. Agora, esse conceito se espalha pela Europa e chega também aos Estados Unidos. No Brasil, o exemplo melhor acabado de arquiteto municipal é Jaime Lerner, que, ao se tornar prefeito, ajudou a transformar a cidade em que nasceu: Curitiba.

Jaime Lerner: como prefeito de Curitiba, e sendo curitibano, ele transformou a cidade

Jaime Lerner: como prefeito de Curitiba, e sendo curitibano, ele transformou a cidade

Na capital do Paraná, o principal legado do arquiteto e urbanista foi o inovador sistema do BRT (Bus Rapid Transit), que se propagou por vários países. Em Londres, a transformação imposta na região da cidade conhecida como Westside, e que abrigou os equipamentos das Olimpíadas de 2012, também foi coordenada por engenheiros e arquitetos londrinos.  Mas o uso da arquitetura municipal não nasceu recentemente. Remonta dos anos 1950, quando o governo britânico criou conselhos para repensar as cidades no pós-guerra. Surgiu o LCC Architects Departament (Departamento de Arquitetura do Conselho dos Condados de Londres).

O líder do LCC Architects Departament era Norman Engleback. “Ele produziu uma escola de arquitetos e urbanistas que até hoje influencia os projetos no Reino Unido”, revela Owen Hatherley, pesquisador da arquitetura inglesa. Hoje, movimentos semelhantes se espalham pela Europa, especialmente na Espanha e na Alemanha. Porém, Owen Hatherley cita que o arquiteto russo Moisei Ginzburg teria sido o precursor da arquitetura municipal na Moscou de 1920. Coincidentemente, no mesmo ano Lenin criou a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

Londres sob a influência dos arquitetos municipais: transformação constante

Londres sob a influência dos arquitetos municipais: transformação constante

Tendência chega a Seul Moisei Ginzburg teria sido incumbido pelo regime comunista russo a criar um padrão de cidade para a União Soviética. Hoje, quase 100 anos depois, é o arquiteto russo Mikhail Posokhin quem melhor representa a arquitetura municipal de Moscou. O especialista tem sido um dos principais nomes à frente do comitê que organiza a Copa do Mundo de 2018, que será na Rússia, e que tem a incumbência também de modernizar a capital dos russos. Um dos principais planos é revitalizar a cidade com parques, uma malha de ciclovias e edifícios que revelam a nova arquitetura russa.

Também são importantes representantes da arquitetura municipal na Europa nomes como Ernst May, em Frankfurt; JJP Oud, em Roterdã, e Hubert Gessner, em Viena. O conceito cruza os oceanos e chega também em Seul, onde em 2014 a prefeitura da capital sul-coreana passou a valorizar profissionais nascidos e formados na cidade para repensar a cidade. “O conceito é de que essas pessoas são leais às cidades onde nasceram e, por isso, tem um compromisso maior com o legado que pretendem deixar para a população”, afirma Owen Hatherley, convicto de que a arquitetura municipal assumiu para si a transformação das cidades no século 21.

Entrevistado
Owen Hatherley, jornalista britânico especializado em arquitetura e articulista da revista eletrônica dezeen magazine
Contatos:
jobs@dezeen.com
@owenhatherley

Crédito Fotos: Divulgação/International Road Federation

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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