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Arquitetura inclusiva abre as portas de casa

Novas Tecnologias, Tendências construtivas 9 de junho de 2009

Brasil começa a descobrir que projetos residenciais precisam pensar nos idosos e nos deficientes

Ana Paula Costa, do IBA: projetos habitacionais não abordam o futuro do morador, só o presente

Ana Paula Costa, do IBA: projetos habitacionais não abordam o futuro do morador, só o presente

O progresso da medicina tem acarretado profundas mudanças no perfil demográfico da sociedade brasileira. Os idosos já representam cerca de 10% da população do país, com aproximadamente 24 milhões de pessoas. Até 2020, estima-se que mais de 30 milhões da população terão acima de 60 anos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Há ainda 25 milhões de portadores de algum tipo de deficiência, seja física ou mental, que, acrescidos à população idosa, têm estimulado mudanças na construção civil. Para eles surgiu a arquitetura inclusiva, já bem difundida na Europa e em países como Japão, Canadá e Estados Unidos, e que agora ganha espaço no Brasil.
O conceito deste novo segmento da arquitetura é simples: promover a inclusão social no ambiente construído.

Porém, pô-lo em prática requer a quebra de paradigmas no país. Um deles é que a aquisição de moradias no Brasil é baseada no custo, o que relega aspectos como qualidade, durabilidade, adequabilidade e conforto. A fim de mudar essa tendência, o Instituto Brasil Acessível (IBA) tem procurado influenciar os profissionais que desenvolvem projetos. “Eles tem de ser instruídos para instituir a inclusão na construção. Somente os profissionais da área podem mudar essa realidade”, explica a arquiteta Ana Paula Costa, responsável pelo desenvolvimento de projetos do IBA.

Segundo Ana Paula, as edificações públicas e os prédios empresariais, por conta do avanço da legislação, no que diz respeito às normas técnicas, já apresentam uma evolução significativa no aspecto inclusão. O problema maior, revela, está nas residências, sejam casas ou edifícios habitacionais. “O nível de acidentes dentro das residências, por conta do descaso com a mobilidade, é muito alto. Trata-se até de uma questão de saúde pública”, diz.

A mudança, avalia a arquiteta, se dará quando o brasileiro descobrir que sua casa é para a vida toda. “No país, por conta da política de financiamento de moradia, as pessoas têm permanência prolongada na mesma habitação. Mas raramente é levado em consideração o envelhecimento humano e o descompasso que isto pode gerar no uso da casa. Os projetos habitacionais geralmente não abordam o futuro dos moradores, mas apenas seu presente”, diz Ana Paula Costa.

Por isso o IBA passou a difundir o que chama de “casa universal”. A proposta é conceber habitações que acompanhem a pessoa por toda sua vida. Ela prevê a arquitetura inclusiva desde a concepção até a especificação dos componentes da construção, do acabamento e das características da iluminação. Segundo dados, um projeto concebido de forma universal sofre um acréscimo de 1% no valor da obra, enquanto que, se precisar ser adequado depois de construído, esse valor poderá saltar para 25%.

Para o IBA, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida é uma boa oportunidade para popularizar a “casa universal”. O projeto já foi encampado pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e pode se tornar padrão para outras companhias de habitação. “O mercado está se posicionando neste sentido”, avalia Ana Paula Costa, que vê com otimismo o futuro das habitações populares no Brasil. “Estamos caminhando para, finalmente, ter casas com qualidade de vida”, comemora.

Texto complementar

Os sete princípios da casa universal

1.º) Igualdade de uso

Todos, independentemente do grau de dificuldade de locomoção, devem ter o direito de ir e vir e de utilizar o espaço como os demais. Exemplo: rampa que comece no mesmo ponto que a entrada para os demais moradores da casa.

2.º) Flexibilidade de uso

Dar opções de métodos de uso de espaços e objetos, de acordo com as necessidades do usuário. Exemplo: Colocar campainhas e telefones em alturas que todos consigam tocar.

3.º) Uso simples e intuitivo

Acabar com a complicação desnecessária e permitir que o usuário use a intuição. Exemplo: escadarias com pequenas luzes ao longo dos degraus.

4.º) Informação perceptível

Melhora a legibilidade de informações essenciais. Exemplo: Se há degraus pequenos, sinalizá-los e demarcá-los.

5.º) Pouco esforço físico

Nem todo mundo precisa ser ginasta para poder andar em sua casa. Exemplo: tomadas mais altas que as habituais (45 centímetros em vez de 30 centímetros a partir do chão) e bancos dentro de elevadores empresariais.

6.º) Dimensões e espaços para aproximação e uso

Todos podem ficar confortáveis independentemente do jeito que pegam as coisas. Exemplo: evitar colocar um gabinete fixo debaixo da pia da cozinha ou do banheiro, pois alguém em cadeira de rodas não conseguirá se colocar em frente e utilizar a torneira.

7.º) Tolerância a erros

Chamar a atenção para perigos e prover características de segurança. Exemplo: escadas e anteparos sinalizados em espaços públicos.

O que é o Instituto Brasil Acessível

O Instituto Brasil Acessível (IBA) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), cuja missão é promover a inclusão social por meio do ambiente construído, com atuação direcionada à promoção da educação, do desenvolvimento econômico e social e combate à exclusão, contribuindo para a integração dos indivíduos na plena cidadania.

Email do entrevistado: Ana Paula Costa, responsável pelo desenvolvimento de projetos do IBA: anapaula@brasilacessivel.org.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação



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