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ABNT prepara nova norma para a construção civil

Mercado da Construção 27 de julho de 2009

Governo federal quer que seja preparada normativa única sobre coordenação modular em edificações

A pedido do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), baseada em seis padrões internacionais, vai preparar normativa única sobre coordenação modular em edificações. O objetivo é revisar todas as normas de coordenação modular brasileiras, que estão em vigor desde os anos 1970 e 1980, além de estabelecer novos padrões que garantem economia e qualidade nas construções.

De acordo com o superintendente do Comitê Brasileiro de Construção Civil (CB-02) da ABNT, Carlos Alberto Borges, a nova normativa foi considerada prioridade pelo governo federal, que solicitou a revisão. “O indutor foi o programa Minha Casa, Minha Vida, que demandará a construção de uma grande quantidade de habitações populares, que poderiam ter um custo menor se houvesse a coordenação modular. Nós já temos recursos públicos e todo o apoio necessário para o desenvolvimento da norma. Vamos criar uma norma única para eliminar a redundância e simplificar o trabalho das construtoras e consumidores”, revela.

A Comissão de Estudo de Coordenação Modular para Edificações vai receber a colaboração de acadêmicos e profissionais da construção civil, que voluntariamente vão oferecer contribuições técnicas. “Além da demanda do Ministério, existe um consenso na área acadêmica de que a coordenação modular é importante e vai trazer benefícios para todos, já que vai otimizar os gastos e os desperdícios. A partir do sistema de compartilhamento da ABNT, chamado live link, vamos receber contribuições de profissionais de todo o país”, disse Borges.

Coordenação Modular

Nos Estados Unidos, é comum encontrar nas redes de comércio produtos com o termo do-it-yourself, que traduzido significa “faça você mesmo”. Os produtos estimulam a pessoa participar na sua montagem. Isso é possível porque as fabricantes americanas adotaram um padrão de coordenação modular no qual permite encaixes perfeitos dos materiais de construção.

A população brasileira ainda não conta com uma norma como a usada pelos Estados Unidos e Europa. Para se ter uma idéia, o padrão internacional de coordenação modular existente e aplicados por vários países existe desde 1983 (ISO 6513:1982). Os especialistas consideram que o Brasil está com 16 anos de atraso em relação à qualidade adotada para modulação.

Esse novo padrão vai beneficiar a construção de mutirões de habitação de interesse social, como o programa Minha Casa Minha Vida, uma vez que as indústrias vão desenvolver novos materiais com procedimentos mais sustentáveis com a padronização de medidas, que vão evitar os desperdícios. Por conseqüência, também abrirá o mercado brasileiro para o internacional, que consome um produto sustentável e com medidas exatas.

Menor custo

O consumidor será beneficiado com a redução de gastos nas obras, já que haverá um ajuste modular no qual vai evitar a quebra de um tijolo, por exemplo, para se encaixar naquele cantinho que ficou faltando completar. Outro benefício será a facilidade para reformas ou manutenção da casa, uma vez que os materiais de construção vão ter dimensões exatas.

O diretor do departamento de competitividade industrial do ministério do desenvolvimento, Marcos Otávio Prates, revela que o Brasil vem experimentando um crescimento no mercado da construção civil. “A questão modular é importante. No ano passado, o sistema imobiliário do país movimentou R$ 30 bilhões. O mercado de habitação está crescendo e as normas estão muito defasadas para aumentar a produtividade”, revela.

De acordo com Prates, hoje as construtoras criaram um padrão próprio para construir. “Elas fazem a encomenda diretamente para as fábricas com as dimensões que usam. Estamos num caos dimensional. Ao estabelecer uma regra voluntária, de composição de medidas, o prazo da entrega da obra é reduzido, a qualidade técnica é maior, o desperdício é reduzido e o consumidor é beneficiado”, esclarece.
A edição da nova norma para modulação é a primeira etapa que o governo precisará realizar para equiparar o Brasil com a qualidade internacional. “A expectativa é que até o final deste ano a nova norma já esteja pronta. Mas ainda será necessário investir em qualificação e principalmente conscientização dos benefícios que trará para todo mundo, já que a aplicação dessa norma é voluntária”, afirma Prates.

A nova norma modular terá base em seis normas internacionais. São elas:
• ISO 1791:1983, que define os termos necessários para a concepção e construção de edifícios de acordo com a coordenação modular;
• ISO 1006:1983, que estabelece o valor do módulo básico para ser usado na coordenação modular de edifícios;
• ISO 2848:1984, princípios e regras da coordenação modular;
• ISO 6513:1982, séries de medidas multimodulares preferíveis para dimensões modulares;
• ISO 6514:1982, que determina os valores dos incrementos submodulares;
• ISO 1040:1983, que define as medidas dos multimódulos para dimensões coordenadoras horizontais.

ABNT
As Normas Técnicas Brasileiras são uma referência mundial para as empresas e a certificação garante conceitos, análises e estratégias que podem ser adotadas por empreendimentos que buscam se tornar competitivos com padrão internacional de qualidade.

No Brasil, cerca de 10 mil empresas têm certificação em conformidade com a ABNT. Já no exterior, as organizações certificadas em qualidade estão perto da marca de 1 milhão. A ABNT disponibiliza as Normas Técnicas Brasileiras para os profissionais de engenharia, arquitetura e agronomia do Brasil. O profissional pode escolher as normas e efetuar o pagamento diretamente na tela do seu computador. Basta acessar o site da ABNT e seguir as instruções.

Fonte: Correio Braziliense – 03/07/09.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação



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