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Revisão da ABNT NBR 9062 qualifica pré-moldados

Área Técnica, Normas 23 de novembro de 2016

Coordenador da comissão de estudos, engenheiro civil Carlos Eduardo Emrich, fala das alterações mais relevantes na norma técnica

Por: Altair Santos

Está em processo de consulta pública a norma técnica mais importante para estruturas pré-fabricadas de concreto: a ABNT NBR 9062 – Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. O coordenador da comissão de estudos de revisão é o engenheiro civil Carlos Eduardo Emrich Melo, que na 19ª edição do ENECE (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural) mostrou como está o andamento de atualização da norma técnica. O objetivo é qualificar as estruturas pré-moldadas de concreto, desde a produção até a montagem, como ele explica na entrevista a seguir:

Carlos Eduardo Emrich: fabricantes, universidades e engenheiros calculistas atuaram na revisão

Carlos Eduardo Emrich: fabricantes, universidades e engenheiros calculistas atuaram na revisão

A ABNT NBR 9062 – Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado – entrou em processo de revisão. Quais os principais pontos que devem mudar?
A revisão da ABNT NBR 9062 foi muito grande. Basicamente, o conceito da alteração foi o de aumentar a segurança nas estruturas, principalmente na etapa de montagem. O texto foi alterado quase em sua totalidade, onde foram esclarecidos os pontos que antes havia dúvidas ou não eram determinantes. A norma passa a ser um material que orienta o projetista, o fabricante e, principalmente, quem vai receber o pré-moldado, o qual terá mais condições de avaliar o produto que está recebendo. É muito importante para o mercado de pré-moldado que não haja dúvidas do que ele está comprando e recebendo.

A norma é de 2006. De lá para cá, o que mudou em termos de tecnologia do pré-moldado?
A maior alteração de tecnologia foi a definição das ligações semirrígidas entre pilares e vigas. Este tipo de ligação já era abordado pela norma de 2006, mas não existiam parâmetros que definissem como utilizar este conceito. Antes, apenas com ensaios próprios é que se podia determinar como utilizar este tipo de ligação. Agora, depois de um grande trabalho de pesquisa e ensaios em laboratórios, a norma está disponibilizando estes resultados e definindo parâmetros para a elaboração de um cálculo mais refinado e rigoroso.

A norma ainda em vigor se encontra defasada?
Não diria que está defasada, mas ela apresenta muitos pontos que não são abordados. Nesta revisão, entendo que ela ficou muito mais completa. A forma de projetar e executar as estruturas pré-moldadas é a mesma, mas com mais parâmetros e ajustes de pontos que elevam a qualidade e a segurança dos empreendimentos que utilizam esse sistema construtivo.

O senhor esteve recentemente no ENECE explanando sobre a norma. Os engenheiros estruturais entendem que a norma é essencial?
Eu acredito que sim. Com certeza, do público que estava na palestra, 100% entende. O que nos preocupa é o pessoal que não se interessa ou faz questão de seguir fora da norma para reduzir quantitativos e aumentar a margem de um fornecedor (ou do próprio fabricante). Hoje, o risco de uma patologia, se a norma não for seguida a contento, pode gerar muito mais facilmente processos e custos de reparo muito superiores que o custo de seguir os critérios normativos. Não tem mais sentido não utilizar a norma.

No Concrete Show 2016, e também no 58º Congresso Brasileiro do Concreto, do Ibracon, foi mostrado o case do edifício Pátio da Marítima, no Rio, e que investiu em estruturas de aço porque o escritório Foster + Partners disse não ter ficado satisfeito com as estruturas pré-moldadas em concreto fabricadas no Brasil. A revisão da norma pode, digamos, aumentar a precisão das peças para obras emblemáticas?
As estruturas pré-moldadas no Brasil, se realizadas dentro do conceito definido na norma, não são inferiores a outras estruturas pré-fabricadas de outros lugares do mundo. Recebo material da Nova Zelândia, e de outros países, que mostram que nossa pré-fabricação tem um nível muito bom. É claro que, como em todo o mercado, existem empresas de maior ou pior qualidade. Infelizmente, com a crise que estamos passando, o mercado vem diminuindo os preços, o que leva a uma perda de qualidade. Quando uma fábrica é obrigada a dispensar boa parte de sua mão de obra treinada e experiente, após anos de dedicação, é claro que há uma perda de qualidade. A pré-fabricação no Brasil é menos mecanizada que em outros países mais desenvolvidos, em função de custos de investimento em fábrica. Isto acaba, de fato, piorando a qualidade quando há uma situação de demissão de mão de obra qualificada.

Qual a previsão para a publicação da revisão da norma?
A comissão já finalizou os trabalhos. A norma já foi para consulta pública e os votos já foram analisados. Assim, estamos na diagramação do texto para publicação. Todo o trabalho já foi finalizado, e agora é só esperar a publicação, que deve ocorrer este ano ou no início de 2017.

A comissão teve a participação de fabricantes de estruturas pré-moldadas?
Participaram muitos fabricantes, o pessoal das universidades, que muito contribuiu, e engenheiros calculistas.

Houve uma revisão completa, item por item, ou apenas pontos estratégicos da norma?
A revisão foi geral, ou seja, todos os itens da norma foram lidos e discutidos. É claro que a maioria permaneceu inalterada, mas a revisão ocorreu em todos os capítulos e itens do texto.

Peças pré-moldadas de concreto têm sido usadas cada vez mais para erguer torres para turbinas eólicas. A revisão da norma vai contemplar essas estruturas e outras que ainda não existiam quando a norma foi publicada pela primeira vez?
A norma apresenta conceitos de dimensionamento, fabricação e montagem de uma estrutura, que pode ser qualquer uma. A norma não pode impedir os avanços do mercado. Desta forma, ela não trata de um tipo específico de estrutura, mas apresenta parâmetros claros para que qualquer tipo de estrutura possa ser dimensionada, fabricada e montada em estrutura pré-moldada, como no caso, as torres eólicas.

Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Eduardo Emrich, coordenador da comissão de estudos de revisão da ABNT NBR 9062

Contatos
carlos.cma@terra.com.br
www.cma.eng.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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